“O Brasil sente falta do austero Mário Covas”, por João Caramez

João Caramez*

 

Quem conviveu com o governador Mário Covas, como eu que fui chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, em 2000 e 2001, aprendeu que “diante da adversidade, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer”. Neste dia 6 de março, completam-se 15 anos de sua morte num Brasil que sente a ausência desse engenheiro descendente de galegos e portugueses que dedicou sua vida à política com honestidade e austeridade.

Mário Covas faz falta ao país que sofre diante da grave crise econômica nacional – nesta semana, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota do Brasil e tirou o grau de investimento, selo de bom pagador.

Político de cara limpa que nunca temeu embates e honrou os votos recebidos em toda sua vida pública, Mário Covas enfrentou as adversidades na saúde e na política – esta última em muitas vezes instigadas por membros do PT.

À época de seu governo no Estado de São Paulo, o petismo já mostrava suas garras e por inúmeras vezes teve militantes envolvidos na incitação às agressões contra o governador.

Como aconteceu em 2000, em São Bernardo do Campo, quando, momentos antes da inauguração do Banco do Povo, o governador Covas enfrentou pessoalmente um protesto de professores da rede estadual e foi agredido por um manifestante que atingiu sua cabeça com o pau da faixa de protesto. Também na Praça da República, quando saia da Secretaria de Estado da Educação, manifestante acertou-lhe uma pedrada que o deixou com ferimento na cabeça e corte nos lábios. Além de pedras, os agressores atiraram paus, cadeiras, tinta, café e amoníaco.

O enfrentamento de Mário Covas às armadilhas do PT serve de lição para uma Nação refém do desgoverno do partido que no passado liderou manifestos e proferiu palavras de desordem e algazarra nas ruas, instigando manifestantes a agressões e protestos violentos. Pois é, são os mesmos que hoje se escondem diante dos escândalos de corrupção que os envolvem.

Onde estão os líderes desses movimentos? Uns investigados por lavagem de dinheiro e crime de corrupção, outros abduzidos renegam sítio ou apartamento à beira mar e ainda há aqueles que estão presos e condenados.

Por que será que esses líderes petistas não saem agora às ruas para manifestação contra a atual política adotada pela União que causou perdas de níveis extraordinários ao país? Neste mês de janeiro, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 7,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso mostra que o desemprego continua subindo e atinge maior taxa para janeiro desde 2009.

O que falta ao Brasil é a austeridade do saudoso governador paulista. Como contou em certa ocasião seu adversário, governador de Santa Catarina, Esperidião Amin, Mário Covas levava um livro-caixa de todas as suas receitas e despesas.

Para Covas, “fazer política é uma coisa muito simples, apesar de muitas pessoas pensarem o contrário. Para mim, política é cultivar os valores da verdade, da liberdade, da honestidade e do caráter”. Hoje, isso virou raridade, poucos políticos tem a coragem de Mário Covas e isso é uma tristeza para o país.

 

 

* João Caramez é subsecretário de Assuntos Parlamentares do Governo do Estado de São Paulo. Foi deputado estadual por quatro mandatos e secretário Estadual Chefe da Casa Civil

 

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