Assembléia promove seminário sobre neutralização de emissões de carbono

Com a realização do seminário “Neutralização de Emissões de Carbono”, coordenado pelo deputado João Caramez (PSDB), a Assembléia Legislativa de São Paulo entra nas discussões sobre os efeitos do aquecimento global. O deputado Caramez é o autor de Projeto de Resolução 22/07, que cria o “Programa Carbono Neutro”, para a neutralização total ou parcial das emissões de carbono decorrentes das atividades desenvolvidas nas dependências do Parlamento paulista.
Caramez citou dados apresentados por estudiosos alertando para a escassez de água daqui a 50 anos. “Cerca de 180 milhões de pessoas não terão água potável, ou seja, número equivalente à população atual do Brasil.” O deputado lamentou o fato de sua geração ser a maior colaboradora para os efeitos nocivos ao ambiente, “mas não podemos viver o presente e delegar às futuras gerações o que fizemos”. “Cabe a nós tomarmos a iniciativa para minimizar essa situação.”

Palestrantes
Mediado pelo jornalista Jorge Machado, da TV Assembléia, o seminário foi dividido em dois painéis. O primeiro abordou a “Neutralização de Emissões de Carbono e Gases de Efeito Estufa – Conceitos e Procedimentos” e o segundo debateu as “Práticas em Neutralização de Emissões – Oportunidades e Perspectivas”. Para debater o primeiro painel, foram convidados Eduardo Jorge, secretário do Verde e do Meio Ambiente da capital, Laura Tetti, socióloga e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Braga, engenheiro e fundador da Max Brasil Ambiental, e Pedro de Toledo Piza, diretor jurídico da Associação do Verde e Proteção do Meio Ambiente (Avepema).
Eduardo Jorge parabenizou a iniciativa de João Caramez e informou que na Prefeitura, além de se adotar a neutralização de emissões de carbono, usa-se em alguns órgãos municipais papel reciclável. Jorge vê com preocupação o fato de países importantes, como os Estados Unidos e a Austrália, não adotarem medidas efetivas para combater as ações contra o ambiente e chamou a atenção do governo para o barateamento do processo que viabiliza o uso de energia renovável.
De acordo com a socióloga Laura Letti, o aquecimento da Terra aconteceria de qualquer forma. “O problema é que aceleramos esse processo e o tornamos incontrolável.” Laura Letti declarou que é preciso fazer alguma coisa para que o quadro não seja ainda mais alarmante em 2050, mas indaga: “Será que não há nada mais interessante a fazer do que plantar árvores? Que tal incentivar o uso da energia solar?”.

Carbono Neutro
Paulo Braga explicou o funcionamento do Carbono Neutro, um programa socioambiental desenvolvido por sua empresa que permite a neutralização total ou parcial de qualquer atividade empresarial, seja industrial, administrativa ou promocional. Segundo Braga, uma vez detectadas e quantificadas todas as emissões, a neutralização é feita por meio da compensação em projetos ambientais, que poderão estar no Brasil ou em qualquer parte do mundo. “A neutralização do carbono é uma atitude voluntária e, mesmo sendo a opção mais cara, 90% dos clientes optam pelo plantio de árvores.” O engenheiro forneceu o site de sua empresa para eventuais dúvidas e para o cálculo de neutralização (www.carbononeutro.com.br).
Já o advogado ambiental Pedro Piza fez um breve relato sobre a importância do Protocolo de Kyoto e suas conseqüências e lembrou que o desenvolvimento sustentável está ligado à precaução e que o uso racional e sustentável de todos produtos se faz necessário. Piza enfatizou que o projeto de resolução do deputado Caramez, pioneiro no âmbito estadual, é importante. “Mas, para dar certo, não deve ser obrigatório.”
A íntegra do Projeto de Resolução 22/2007 está disponível no Portal da Assembléia (www.al.sp.gov.br).

Relatos de práticas
Falaram sobre novas técnicas de neutralização o técnico Luciano Marcondes – que abordou uma destinação final para o lixo sem a emissão de metano e gás carbônico, através de conversores térmicos de alta temperatura –, o ambientalista Mario Mantovani, diretor de mobilização da ONG SOS Mata Atlântica e, encerrando o evento, Xico Graziano, secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
Mario Mantovani contou sobre sua experiência de militante ambientalista e fez um histórico dos plantios que a SOS Mata Atlântica vem fomentando durante toda sua existência. Contou das experiências de sucesso junto a parceiros que duvidaram de algumas empreitadas que acabaram se revelando vencedoras, como o programa Clickarvore, que em 2006 atingiu a marca de 5,4 milhões de mudas e comemorou a apólice de mais de 8 milhões de árvores patrocinadas para os próximos anos. O programa Clickarvore nasceu de uma parceria com a Editora Abril e o Bradesco, que plantam uma árvore para cada clique de um internauta no site www.clickarvore.com.br. O plantio das árvores ajuda no combate ao carbono da atmosfera porque este elemento alimenta o processo da fotossíntese realizado pelas árvores.
Para Xico Graziano, “plantar qualquer coisa é bom, porque ajuda na neutralização do Carbono”. “Se a plantação for de espécies nativas, é melhor ainda.” Mas o secretário fez a ressalva de que só plantar não é suficiente. É preciso agir no sentido de economizar água e energia. “Estamos no limiar de um novo padrão de civilização e nossa maior responsabilidade é ensinar os jovens a adotar uma atitude diante de novos desafios, como o aquecimento global”. Graziano comentou que o governo paulista vem agindo com decisão na área do reflorestamento. O programa de replantio das matas ciliares, por exemplo, atingiu a marca de 1,7 milhões de hectares.
O secretário comentou ainda sobre a necessidade de se investir em conhecimento, porque há pouco embasamento científico para algumas decisões que os governantes devem tomar. “Saber direito o tamanho dos nossos desafios é fundamental”, finalizou.
Encerrando o seminário, o deputado João Caramez pediu ao presidente da Assembléia, Vaz de Lima, total apoio para os projetos que combatam o aquecimento global. O presidente, como resposta, prometeu apoiar tudo cuja “finalidade seja melhorar a vida do povo paulista”.

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