Caramez defende Linha 17 na Assembleia Legislativa

Em pronunciamento na tribuna do Plenário Juscelino Kubitschek, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, quarta-feira, dia 11/05, o deputado estadual João Caramez defendeu a continuidade das obras da Linha Ouro- 17 do Metrô.

O parlamentar, que é membro efetivo da Comissão de Transportes e Comunicações, Caramez ressaltou a importância da linha que começa no Jabaquara e termina na Vila Inah, passando por Americanópolis, Cidade Leonor, Vila Babilônia, Vila Paulista, Jardim Aeroporto, Brooklin Paulista, Campo Belo, Vila Cordeiro, Panamby, Paraisópolis – uma das maiores comunidades que temos no Estado de São Paulo -, Morumbi e Jardim Leonor.

Acompanhe abaixo o discurso.

            Srs. Deputados, Sras. Deputadas, no meio jurídico, é comum ouvirmos a seguinte frase: “Decisão judicial não se discute, cumpre-se”. Entretanto, penso que qualquer cidadão pode fazer uma reflexão, uma análise, sobre qualquer decisão judicial que possa afetar diretamente a população.

            Recentemente a Dra. Fernanda Rossanez Vaz da Silva, Juíza da 3ª Vara da Fazenda Pública, acatou uma ação civil pública da Associação dos Amigos da Vila Inah, impedindo a assinatura do contrato para a execução do monotrilho ligando o Jabaquara à Vila Inah, na região do Morumbi, a linha 17 do Metrô.

            O mais interessante é que essa Associação, em seu site, está pedindo a todos os moradores uma contribuição imediata no valor de mil e de 500 reais, para tocar essa ação que,  segundo consta, foi movida sob a alegação de que o monotrilho vai desvalorizar os imóveis do entorno.

            Só para lembrar, a Linha 17, que está sendo impedida por essa liminar, a chamada Linha Ouro do Metrô, tem 18 quilômetros de extensão. Começa no Jabaquara e termina na Vila Inah, passando por Americanópolis, Cidade Leonor, Vila Babilônia, Vila Paulista, Jardim Aeroporto, Brooklin Paulista, Campo Belo, Vila Cordeiro, Panamby, Paraisópolis – uma das maiores comunidades que temos no Estado de São Paulo -, Morumbi e Jardim Leonor.

            É claro que qualquer obra dessa envergadura afeta a população do entorno, e pode acarretar indenizações quando comprovado o prejuízo do particular. O que não pode acontecer é que interesses privados comprometam o interesse público, já que são inúmeras as vantagens da implantação dessa Linha. Além do dinamismo urbano da região, os imóveis serão valorizados, com sensível melhora da qualidade de vida principalmente daqueles que precisam, fundamentalmente, do transporte público, ou seja, do metrô. E, pela primeira vez, estamos vendo uma grande comunidade sendo contemplada com esse tipo de transporte, que é a comunidade de Paraisópolis.

            Ressalto, ainda, que esse traçado será feito em cima das avenidas Roberto Marinho, que já teve o impacto natural da sua construção, das Nações Unidas, a Perimetral, a João Jorge Saad e um grande trecho na Marginal do Pinheiros, acompanhando a Linha 9 da CPTM, onde se dará a sua integração.

            Pela primeira vez, o Metrô está executando uma linha que vai formar uma malha interligando outras linhas que também terão acesso ao Aeroporto de Congonhas, facilitando a vida do usuário. A estimativa de atendimento é de mais de 450 mil pessoas transportadas por dia.

            Logicamente, fiz uma pesquisa  e, vejo aqui, algumas manifestações não só de quem mora na Vila Inah, mas, principalmente de quem mora em Paraisópolis, que são os trabalhadores que precisam desse transporte de qualidade, precisam se locomover da sua comunidade até o centro da cidade, e vejam o paradoxo: o Sr. Ives Jadul, vice-Presidente da Associação de Amigos da Vila Inah, diz que “o projeto foi aprovado porque na época existia a história de o estádio do São Paulo Futebol Clube abrigar jogos da Copa”. Segundo ele, a lógica de ligar o aeroporto até o estádio não existe mais porque o estádio não será mais usado.

            Por que ele diz “a lógica”? Porque a Linha 17 Ouro chega num determinado trecho e bifurca, levando uma linha auxiliar até o aeroporto de Congonhas. Vejam a importância desse traçado, e vejam a declaração do vice-Presidente dessa entidade.

            Por outro lado, o Presidente da União dos Moradores de Paraisópolis, Sr. Gilson Rodrigues, defende a obra dizendo: “levamos todos os dias mais de uma hora da comunidade até o centro”. Em Paraisópolis eles já colheram mais de 30 mil assinaturas a favor da construção do monotrilho.

            E qual é o meu objetivo, vindo a esta tribuna, para  trazer para os Srs. Deputados e para as Sras. Deputadas, ao pessoal da galeria, aos telespectadores da TV Assembleia o paradoxo que existe quando o Governo resolve fazer uma obra dessa magnitude? Temos um grupo de pessoas abastadas economicamente, que se dão ao luxo de abrir um site e pedir uma arrecadação de mil e de 500 reais, para mover uma ação, enquanto temos uma comunidade com mais de 60 mil habitantes, que seriam diretamente beneficiados, colhendo assinaturas com muito sacrifício, com muita luta, com muita dedicação, para que a obra realmente tenha continuidade.

             A nossa luta é para que essa obra seja realizada, fazendo  com que o transporte público de qualidade chegue até a população. E é nisso que o governo está empenhado, principalmente neste momento em que precisamos melhorar as condições de transporte e a qualidade do ar da nossa cidade e do nosso Estado.

            Quero mostrar a incoerência desse povo, que diz que vai sofrer o impacto na sua região, por conta da obra. Temos aqui uma imagem da região. A parte em verde é a área de atuação da Associação dos Amigos de Vila Inah. Podemos ver o estádio do Morumbi. O traçado em vermelho, embaixo, é a Avenida João Jorge Saad, por onde vai passar o monotrilho.

            Vemos alguns imóveis na cor azul e alguns em vermelho. Na área de atuação da Associação, pega apenas o lado oposto do bairro. Todos esses imóveis voltados para a avenida, para o traçado, de cor azul, são imóveis comerciais. Os de cor vermelha são imóveis residenciais.

            São mais de 70% de imóveis comerciais que serão beneficiados com essa obra, e 25 a 30% de imóveis residenciais que, com a execução do monotrilho, vão sofrer valorização, e com certeza poderão ser vendidos para a construção de qualquer estabelecimento comercial.

            Fiz questão de mostrar a todos os senhores, para que tenham a certeza absoluta de que é uma injustiça essa paralisação. A decisão judicial, realmente, tem que ser cumprida, mas cabe aqui a nós uma reflexão sobre tudo o que está acontecendo. Faço  a grande pergunta: é justo que isso ocorra? É justo que uma comunidade, como Paraisópolis e tantas outras que serão beneficiadas, sejam prejudicadas por algumas pessoas que têm condições econômicas de bancar uma ação, contratar advogados, contratar urbanistas, para dar pareceres contrários a essa obra que, sem sombra de dúvida, independentemente de termos Copa do Mundo ou não, é de vital importância para a região e para todo o Estado?

            O estádio do Morumbi vai continuar existindo. Lá no estádio, os shows e eventos continuarão existindo, como é o caso do último show do U2. Quem foi assistir viu a dificuldade para estacionar, para poder adentrar ao estádio e assistir àquele maravilhoso show.

            Qualquer pessoa que ocupe um cargo público – seja do Executivo, seja do Legislativo, seja do Judiciário – é, antes de mais nada, um ser humano passível de erro. Qualquer decisão, portanto, precisa ser muito bem pensada, como nesse caso, que envolve uma grande quantidade de famílias que necessitam de um transporte público eficiente e que serão beneficiadas por uma obra pública dessa envergadura. Fica aqui, portanto, o nosso apelo no sentido de que, acima de tudo, o interesse público prevaleça.

Caramez durante pronunciamento na Assembleia

Foto: A. C. Paraíba

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