Ex-presidente da Eletropaulo fala à CPI sobre a privatização da empresa

            Eduardo José Bennini, funcionário de carreira da Eletropaulo e que ocupou várias posições na empresa, inclusive a de Diretor Presidente, compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga possíveis irregularidades na privatização da concessionária de energia elétrica.

            Falando na qualidade de testemunha, Bennini fez uma ampla explanação sobre a empresa e o seu processo de privatização. Respondendo questionamento do presidente da CPI sobre o método de avaliação da empresa que foi comprada pelo preço mínimo estabelecido no edital, o executivo afirmou que conforme praxe internacional o preço é basicamente determinado pelo fluxo de caixa quando se trata de empresa que atua em áreas de concessão altamente reguladas, como foi o caso:

            “O que foi vendido foi a concessão. O patrimônio da empresa só pode ser alienado nos casos em que o bem a ser disponível não seja essencial ao serviço. Mesmo assim, é necessária autorização da Agência Nacional de Energia”.

            O deputado João Caramez, relator da CPI, perguntou se caso a Eletropaulo não houvesse sido privatizada, as tarifas para o consumidor teriam sofrido os mesmos reajustes.

Bennini explicou que a carga tributária que incide sobre as tarifas de energia elétrica no Brasil é a maior do mundo e que a tarifa praticada pela Eletropaulo é muito próxima da tarifa da CEMIG,da Light ou das empresas sob o comando da Eletrobrás.

            Caramez também indagou se o país corre o risco de um novo apagão. Bennini afirmou que o Brasil tem capacidade para desenvolver seu potencial energético aproveitando melhor os sítios hidrelétricos  de pequena e média capacidade:

“Até mesmo para hidrelétricas de grande capacidade, temos capacidade técnica para diminuir, e muito, o impacto ambiental verificado no passado. Mas também é preciso que as autoridades tenham maior objetividade e agilidade nos processos de licenciamento ambiental”.

Sobre a utilização de gás para a geração de energia, Bennini afirmou que  é complexa a equação do suprimento de gás, do ponto de vista econômico, político e diplomático.

 

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