Rio Tietê – nossa história, nosso sonho

João Caramez*

 

Desde 1993, quando o Governo do Estado iniciou as obras de despoluição do Rio Tietê, uma nova esperança cresceu no coração de todo o povo paulista de ver renascer aquele que é um dos cursos d’água mais importantes, protagonista essencial da nossa história e do desenvolvimento de São Paulo.

Um dos maiores desafios ambientais do mundo que envolve a atuação de vários órgãos, a recuperação do Rio Tietê já custou aos cofres públicos mais de 3 bilhões de reais em melhorias e obras de rebaixamento e alargamento da calha do rio, além da implantação de novas estações de tratamento.

Com o desassoreamento do rio, a limpeza, a coleta e o tratamento do esgoto até agora realizados, tornou-se possível a dispersão de elementos tóxicos, reduzindo significativamente seus níveis de poluição, inclusive o odor dele decorrente, que chegava a causar mal estar às pessoas.

Atualmente, graças aos investimentos feitos ao longo dos últimos anos, a mancha de poluição do rio, que começava em Itaquaquecetuba, próximo da sua nascente, e se estendia até Anhembi, já recuou cerca de 160 km. Os municípios de Porto Feliz, Cabreúva e Anhembi têm hoje um rio revitalizado, com índice de oxigênio que garante a proliferação de peixes e a realização de diversas atividades.

Quem conhece, apenas, o Rio Tietê “sufocado” pelo crescimento desordenado da região metropolitana de São Paulo, não imagina a transparência das suas águas em Salesópolis, próximo ao litoral norte, onde o rio nasce, tampouco a vida que carrega e que proporciona a grande parte do território paulista, onde suas águas servem à irrigação de terras para a agricultura, à geração de energia, ao transporte de cargas, à pesca, ao lazer e ao turismo.

É esse Tietê que queremos resgatar em sua totalidade. Por isso, nessa semana comemorativa do Rio Tietê, enaltecemos o esforço do Governo do Estado de São Paulo em captar mais recursos, por meio, do empréstimo conseguido junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento. São 600 milhões de dólares que a SABESP receberá para investir na terceira etapa de despoluição do rio, que somados à contrapartida da empresa paulista e aos recursos já investidos no início da operação, somará mais de 1 bilhão de dólares.

Com estes recursos, a meta é ampliar os índices de coleta e tratamento de esgoto na capital paulista, com novas tubulações, redes coletoras e aumento do número de ligações domiciliares, estendendo, até 2016, a captação para 1,5 milhão de pessoas e o tratamento para 3 milhões.

No entanto, apesar de todos esses investimentos, somente uma ação conjunta dos poderes públicos e de toda a sociedade será capaz de recuperar o Rio Tietê. Lamentavelmente, na região mais rica e desenvolvida do país, grande parte dos municípios ainda despeja esgoto in natura no rio e inúmeras prefeituras da área da Bacia do Tietê pouco ou nada investem na sua proteção.

Todos têm que fazer a sua parte, inclusive cada um de nós. Desde evitar o despejo irregular em galerias pluviais ou córregos, até deixar de jogar lixo na rua. Não podemos esquecer que grande parte da sujeira do rio, cerca de 30%, vem do lixo deixado pelas pessoas. Diariamente, as águas do Tietê recebem toneladas de sacolas plásticas, garrafas, latas e todo o tipo de dejeto.

É preciso fortalecer a consciência ambiental e estreitar os laços da população com o rio, e para isso as organizações não governamentais tem exercido um papel fundamental, cabendo destacar a Fundação S.O.S Mata Atlântica que tem desenvolvido projetos e campanhas educativas de grande repercussão, como a “Praia do Tietê “ que terá sua segunda edição neste dia 22.

Vamos aproveitar essa data comemorativa para aprender sobre e com o Rio Tietê, refletir sobre a sua história, redescobrir a sua importância, a sua beleza e as suas potencialidades, conhecer os seus problemas e encontrar formas de colaborar para a sua efetiva e definitiva recuperação.

* João Caramez é deputado estadual pelo PSDB e autor da Lei que instituiu a Semana Comemorativa do Rio Tietê

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