Seminário sobre Neutralização de Carbono é discutido na Assembléia Legislativa

Seguindo a máxima de que mais eficaz que o discurso é o exemplo que vem de casa, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, realizou no dia 24/4, no auditório Franco Montoro, o Seminário Neutralização de Emissões de Carbono, que teve como objetivo alertar o Poder Público sobre as conseqüências do aquecimento global do Planeta. O evento foi coordenado pelo deputado estadual João Caramez (PSDB) e encerrado pelo secretário de Estado do Meio Ambiente, Xico Graziano. O seminário também contou com o apoio do presidente da Casa, Vaz de Lima, e de entidades ambientais como a Fundação SOS Mata Atlântica, Associação do Verde e Proteção do Meio Ambiente (Avepema) e Max Ambiental.
            “O aquecimento global daqui a 50 anos deixará 180 milhões de pessoas sem água. Esse é um fato alarmante. Isso quer dizer que em cinco décadas praticamente a população de um Brasil inteiro sofrerá com a falta d´água. E esse tempo nem está tão distante assim, muitos de nós ainda estarão vivos e nossos filhos e netos são os que mais sofrerão”, alertou o deputado João Caramez em seu discurso de abertura.
            Segundo ele, a sociedade deve se mobilizar com urgência para resolver a questão do aquecimento global e o seminário é a primeira iniciativa no sentido de reverter a situação. Para dar o exemplo, o evento foi neutralizado e todo carbono emitido para a produção do seminário foi compensado com o plantio de árvores. A Max Ambiental, detentora do selo Programa Carbono Neutro foi quem fez o cálculo de compensação.
            O secretário de Verde e Meio Ambiente do município de São Paulo, Eduardo Jorge, participou do evento e ressaltou a importância do debate como forma de possibilitar mudanças imediatas no modo de vida da sociedade. Já Laura Tetti, integrante da Delegação de Mudanças Climáticas e Conselheira da FIESP alertou para a perda da Floresta Amazônica, nos próximos 50 anos, quando tomará a forma de cerrado, até sua transformação completa em savana. “Ou seja, teremos um ciclo perverso que não estamos demonstrando inteligência e sabedoria para reverter”, explicou Laura, que foi mais longe: “não basta apenas plantarmos árvores, temos que estudar outras alternativas que minimizem os efeitos. A ampliação do uso da energia solar deve ser amplamente discutida e colocada em prática”, aconselhou.
            O engenheiro Paulo Braga, fundador da Max Ambiental, deu exemplos práticos para a neutralização das emissões de carbono que podem ser realizadas também pelo cidadão comum. “Além de plantar árvores, podemos abastecer nossos veículos com álcool, que é uma fonte de energia renovável, cuidar com responsabilidade da destinação final do nosso lixo, aderir ao transporte coletivo, enfim, há uma série de ações que ajudarão a reduzir o impacto da emissão de carbono”.
            Pedro de Toledo Piza, diretor jurídico da Avepema falou sobre os aspectos jurídicos referentes ao tema. “É importante que os próximos marcos legais sigam exemplos de propostas de modo a não utilizar mecanismos de controle e comando. Os valores éticos ambientais devem ser voluntários para que os objetivos sejam atendidos, portanto, mais importante que obrigar é conscientizar”.
            Mário Mantovani, da SOS Mata Atlântica, ambientalista há mais de 30 anos, elogiou a iniciativa de Caramez de promover o debate na Assembléia e principalmente por ter criado o projeto de resolução que prevê a compensação da emissão de gás carbônico. “Fico muito feliz em perceber que a sociedade está mobilizada. Isso é fundamental para resolvermos de vez essa questão do efeito estufa. Não podemos deixar para depois. O futuro é agora, se não fizermos nada hoje, não haverá futuro”, afirmou Mantovani.
            Segundo ele, os prefeitos presentes ao evento, devem aproveitar o que foi discutido para implantar a mesma ação em seus municípios. “A oportunidade de ampliar o programa é agora. As parcerias estão estabelecidas. Só precisamos começar”.
 
 
Projeto de Resolução
            A Mesa Diretora da Assembléia Legislativa (AL) participou do encerramento do evento e o presidente da Casa, Vaz de Lima, aproveitou a oportunidade para anunciar que a Mesa é favorável ao projeto de resolução do deputado João Caramez que propõe a criação do Programa Carbono Neutro que objetiva a neutralização total ou parcial das emissões de carbono decorrentes das atividades desenvolvidas na Casa de Leis.
            “É só uma questão de tempo para sua implantação. Assim que passar pelo Plenário, a Mesa Diretora o implantará”, esclareceu Vaz de Lima, que aproveitou a oportunidade para ressaltar que a preocupação com as conseqüências do efeito estufa, pela Assembléia Legislativa é pioneira. “Mais uma vez São Paulo sai na frente, esperamos que os demais estados sigam o exemplo”.
            O projeto prevê que no prazo de seis meses, contados a partir da data da publicação da resolução, deverá ser realizado e concluído o inventário de emissões de dióxido de carbono geradas por cada setor da Casa, como gabinetes, plenários e departamentos administrativos. Será criada uma comissão especial, de caráter permanente composta por nove membros, para a implantação e acompanhamento da medida.
            Técnicos e representantes de instituições públicas e privadas envolvidas com a preservação ambiental deverão auxiliar a comissão. Caberá à Mesa Diretora da Assembléia viabilizar formas de reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE), especialmente quando da aquisição de novos veículos. Os recursos para a implantação do programa serão destinados anualmente pela Assembléia Legislativa.
            Prefeitos, secretários de Meio Ambiente e vereadores de diversas cidades de São Paulo que compareceram ao evento afirmaram que vão implantar a mesma idéia em seus municípios. Capão Bonito é uma das cidades que se dispuseram a participar do programa.
            Xico Graziano ressaltou a importância do projeto de resolução e a realização do seminário. “Mais uma vez, o deputado João Caramez provou ser um homem propositivo, que busca soluções. Fiz questão de participar do evento porque a secretaria de Meio Ambiente acredita nestas ações e dá o total apoio a esta Assembléia Legislativa”, conclui o secretário.

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